quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um Conto de Fadas Para Guerreiro Nenhum Botar Defeito


Honestamente, o maior problema de "Branca de Neve e o Caçador" (Snow White and The Huntsman - EUA - 2012) é todo mundo já conhecer a história original - ou alguma variação dela - e inevitavelmente ficar comparando com mais esta versão.
O resto - o todo do filme - é muito divertido e... divertido. Podem providenciar as pipocas.
Tenho, como já dito em outros posts, o dever de me empenhar em admirar uma obra de arte - qualquer que seja - por si só. Filha de seu próprio criador. É quase um exercício zen, quase um desafio, quando se tem similares em obras paralelas tão extensas quando se fala de contos-de-fadas.
E nesta obra a coisa acontece tanto no conteúdo como na forma.
Está tudo ali: o príncipe, os anões, a maçã envenenada, o espelho. Mas está de um jeito que ainda não tinha sido visto. O cinema pós-Senhor dos Anéis extrapolou a barreira dos 10 anos em termo de influência estética. Os efeitos estão mais reais do que nunca. E tudo está muito correto. Talvez correto demais.
A turma mais jovem pode ter a chance de apreciar o filme de um jeito mais puro, mais isento. E de quebra não vai ficar como eu, achando que em momento algum do filme existe alguém mais bela que Charlize Theron; seja neste filme ou em qualquer outro que ela tenha trabalhado, diga-se de passagem.

;-)

Recomendo que aprecie o filme com moderação, mantendo distância de comparações com outras obras que se servem da mesma fonte, como de obras que tem a mesma pegada estética.
O que não será uma tarefa fácil.

P.S. 1 - É muito difícil não entrar no assunto, que é meio óbvio e evidente, do universo psicanalítico que a história remete. Mas aí seria spoiler demais para um post que se prentende somente antecipar o resultado final de um empenho gigante do cinema industrial. E todos os elementos da psicanálise não são exclusivos desta adpatação, mas são fartamente encontradas em qualquer adpatação de conto de fadas.

P.S. 2 - Spoilers somente em outros blogues, por favor. ;-)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

MIB 3


"Homens de Preto 3" ("MIB3" - 2012 - Barry Sonnenfeld)
É impossível analisar a obra-pipoca com o desprendimento que tanto me apraz. É fruto daquelas ações de comunicação intensa que faz com que a gente tenha dificuldade em não tomar conhecimento da história do filme.
Alheio a isso, é notório que filme entrega o que promete - o que não é pouco - e repara um erro grave quando produziram o MIB2, quando não se levaram a sério.

Ação/efeitos/humor/emoção - tá tudo ali.
E tem algo a mais.
Tem "um algo" a mais.
Algo destoa esta obra na anterior, de 10 anos atrás. E mesmo da primeira, 5 anos antes.

Em princípio está tudo amarrado nos filmes pregressos, nas inúmeras referências cinematográficas, nas piadas internas e - por que não? - nos filmes futuros.
Mas este hiato de 10 anos que separa as sequências dos agentes que trabalham na agência que cuida dos alienígenas na Terra revela, indiretamento, o quanto o cinema americano - o bom cinema americano da pipoca e do entretenimento - teve que sofrer financeiramente e se reaprender.
Arrisco afirmar que é por conta do crescimento de qualidade das produções televisivas, por conta do conteúdo narrativo e do alto nível de produção, facilitado pelas ótimas condições de pós-produção/efeitos especiais a baixo custo, claro.
E MIB3 também vem para isso: mostrar que contação de histórias COM dinheiro bem aplicado funciona igual a contação de história SEM dinheiro algum. O que é muito bom.
E MIB3 tem o algo a mais que todo filme atrevido deveria ter: uma história que transcende os personagens. Uma história movida por decisões de personagens, por sentimentos que se sobrepõem e se sujeitam, ao mesmo tempo, com a razão. Assim como é na "vida real".
Queria ler resenha/sinopse/spoiler? Vai encontrar por aí, sem dúvida alguma.
Eu me restrinjo a recomendar que se saia de casa, enfrente filas nas bilheterias e compre pipoca.
Afora toda a diversão, que é o que as quase duas horas do filme se pretendem, que se saia de casa, enfrente filas nas bilheterias, pois vale a pipoca, vale o ingresso, vale a histeria da criançada.
E vale até o tão desnecessário 3D - que aqui não atrapalha a história nem se sobrepõe à estética do filme.
E não se surpreenda se o filme te emocionar.
Eu me surpreendi!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Flores do Oriente



O melhor filme que eu vi em 2012 é de 2011.
Estamos no fim de maio, mas duvido que até o fim do ano eu veja uma obra tão completa como "Flores do Oriente" ("Jin líng shí san chai" - Yimou Zhang).
Me recuso a falar sobre o filme. Filmes como esse não cabem em indexação simplória.
Uma obra intensa em todos os sentidos, da construção da narrativa - apoiada em um livro, registro na primeira pessoa de uma história real - passando pelo elenco, trilha sonora, fotografia, cinematografia e à produção em si.
Tudo neste filme é impecável e intenso. Tudo é vivido. Tudo é vívido.
Eu poderia me estender por muitas e muitas palavras sobre o quanto este filme é forte. Mas correria o risco gigante de falar sobre eu, sobre você e sobre a condição humana. E isso poderia não ter fim.
Se puder, assista sem saber do que se trata - eu tenho tentado me dar esse prazer o máximo possível, tenho evitado trailers, resenhas, expectativas quaisquer. Tento resgatar uma sensação pura de descobrir a obra, para se descobrir nela.
Como na própria vida.
Muitas vezes a verdade é a última coisa que queremos ouvir. Mas ela precisa ser dita, nem que seja por último.
Taí! Viu? Continuo falando do filme enquanto falo de mim mesmo.
Ou seria o contrário?
Uma obra como essa deve ser vista no altar da sétima arte: a sala de cinema, pelo menos mais de uma vez. Não creio que tanta intensidade caiba na sala da minha casa, onde o mais intenso sou eu.
Saiba menos, viva mais.