segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Volta do Que Não Foi

6 meses!?!?! 6 meses da última postagem?!?!
Não por nada, foram 6 meses intensos fora da blogsfera - mas não à parte dela.
Com o tempo completamente preenchido com produções audiovisuais próprias, pouco pude apreciar das produções alheias.
Mas não fiquei desatualizado. Ainda tem percepções a serem transcritas no fundo da gaveta.
Devo algumas resenhas de filmes que vi nesse período - algumas, pois da maioria dos filmes vistos, claro que poucos sobrevivem ao calor da expectativa, que via de regra serve como combustível para frustração.
A você, que faz parte do pequeno grupo que lê neste quente fevereiro de 2014, fique sabendo que o blogue segue dentro de seus propósitos, mas antecipo que dois filhotes, no melhor modo "spin off", estarão sendo divulgados nos próximos dias.
E você, que me lê do futuro, já conhece o fruto desta árvore que um dia foi um pequeno arbusto.
Vamos lá, que o ano promete andar de trote a galope!


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Red 2 é Mais do Mesmo - O que é Ruim... O que é Bom... O Que é Ruim.

A Hollywood do século XXI ainda aguarda um filme de John McLane - digo, de Bruce Willis - que não lembre, em algum momento, que a presença do carismático ator, em cena, não lembre o herói de Duro de Matar (pelo menos do Duro de Matar 3 em diante).

Alguns vislumbres diferenciais foram percebidos em Sin City, Refém e 16 Quadras. Mas isso já tem quase 10 anos em relação a Red 2 - Aposentados e Ainda Mais Perigosos (Red 2 - EUA - 2013), que traz de volta os personagens e a estrutura do primeiro filme, de 2010, que já era, em si, uma releitura de filmes de ação do estilo em que Willis havia se consolidado. Porém aquele contava com uma releitura e estética muito pertinente, entregando um produto bem interessante a um público que consumia - muito bem - a franquia Identidade Bourne e o surpreendente revitalizante Busca Implacável.


Mas, infelizmente, o novo só tem sabor quando consumido com frescor. Sobreviver ou simplesmente revisitar com ótica semelhante qualquer universo incorre em estar muito mais atento e produzir com muito mais acuidade do que quando se fez o "primeiro" filme - que, neste caso, tinha outra mão, megatalentosa, na boleia.

Para o bem ou para o mal a mão do diretor faz muita diferença, quer os produtores concordem ou não disso.

Desencanta ver que Red 2 se apoia estreitamente, enquanto narrativa, no primeiro filme, fazendo quase que uma paródia de si mesmo. Uma autofagia destituída de proteína - no caso, destituída dos sempre necessários elementos surpresa & emoção.

A se valer, em todos os casos, o ingresso, fica por conta do personagem de Helen Mirren, que é o contraponto emotivo-racional ao Marvin-Murdock (sim, o personagem de Malkovich lembrou muito o piloto doido e divertido do Esquadrão Classe A).


Ela, por si só, vale o ingresso. Mas o filme, como um todo, não.

Se é que um filme escapista tenha que valer algo além de sua proposta escapista.


Em tempo: Zeta-Jones e Hopkins, em algum momento, dão as caras no filme.

E só.

Indicado a: quem não esperar muito da continuação do admirável primeiro filme. E descerebrados em geral.

Para saber tudo: http://www.imdb.com/title/tt1821694

domingo, 4 de agosto de 2013

Papai Smurf Sabe Tudo

"Não importa de onde você veio, mas quem você escolhe ser" - esta pérola de sabedoria é dada por uma pequena criatura azul, de barba, para uma outra criatura que questiona sua gênese e sua ânima.

Este momento "Mary Shelley para infantos" é uma jóia rara perdida no universo pastelão de Os Smurfs 2 (The Smurfs 2 - EUA - 2013).


O aproveitamento correto desta obra, no cinema, só se faz em dois aspectos: a vivacidade e credibilidade das pequenas criaturas e do gato Cruel (os humanos no filme são extremamente artificiais) e, com certeza, ter a companhia de um pequeno ao seu lado, um neófito em salas de exibição, que ficará se deslumbrando com uma imersão colorida nesse universo tão divertido.

E, claro, tão repleto de clichês, para quem já viu mais de 3 filmes do gênero.

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O universo mitológico que contém anões é outra jóia ainda a ser trabalhada. A pequenez estrutural se soma à fração de sentimentos humanos (os 7 anões da Branca de Neve, somados, dão a totalidade da identidade emocional humana) e contemplam uma possibilidade infinita de aventuras. Asterix passeia de leve nessa seara, bem como, sob outra frequência, o Pequeno Polegar.

Um aspecto que Os Smurfs ainda devem no cinema. Oportunidade para isso não vai faltar.

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Se você, como eu, odeia não conseguir tirar o "lá-lá-lá" da música tema da cabeça, também irá se divertir com a fúria irracional de Gargamel.
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É com a frase que abre este texto que Jonathan Winters (1925-2013) se despede da voz de Papai Smurf, no áudio original.

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Indicado a: fãs dos personagens de Peyo e criançada em geral, que ainda não passou pelos critérios mais elevados das animações da Pixar e da Dreamworks.

Para saber tudo: http://www.imdb.com/title/tt2017020

domingo, 28 de julho de 2013

Rockshow é Show


Que tal fazer uma viagem no tempo e ficar por duas horas no meio de fãs de um ex-beatle, se deslumbrando com a performance mais-que-perfeita da banda The Wings, se deliciando com melodias e performances pra-lá-de-generosas, e ao final sair enebriado com a sensação de que aquele tempo também é hoje, ao nos depararmos com as possibilidades tecnológicas do pós-modernismo?

Rockshow (Rockshow - EUA - 1980) – propôs isso, na tela gigante de um cinema, em salas e horários especiais, e nos melhores home-theaters das casas de quem sabe o que é bom.

É muito interessante olhar à distância, ou se deixar levar pela passagem do tempo, e ver o desempenho preciso de uma banda que transita muito à vontade pelo limite entre o pop e o rock, sem esconder uma escola jazzista, que se vale do prazer em se estender versões de canções pelo prazer de deixá-las viverem segundos ou minutos a mais além do formato radiofônico comercial (o movimento progressivo mergulhou a fundo essa possibilidade).


O fruto colhido na época - 1976 - por conta da turnê, foi um LP triplo. 4 anos depois viria o video do show, com 1h 40min, e agora restaurado com 2h 14 min.

30 canções. Algumas você não vai (re)conhecer; outras você vai querer cantar junto.

E todas são integralmente executadas com uma energia plena de todos os integrantes - com destaque para o baterista Joe English e o lead guitar, multi-instrumentista e carismático Denny Laine.

Fruto do resultado do movimento de uma época, quase 40 anos depois soa atual.

O que credencia o show, definitivamente, com um clássico.

Indicado a: fãs e não-fãs do bom e velho Macca. Para quem gosta e para quem precisa conhecer o conceito puro do “quem sabe faz ao vivo”.

Quando o Transcriar Preciso é Imperfeito


Dentre os diversos tipos de suporte narrativos, os das chamadas “Sétima Arte” e “Nona Arte” são, disparados, os que mais me atraem.

Seguidos, à uma distância segura, da “Décima Arte”.

E bem distantes da “Segunda Arte” e da “Quarta Arte” – mea culpa.

Digo isso para poder explicar que transpor uma narrativa, de um suporte – ou “arte”, como queira – para outro é, por vezes, uma tarefa de transcriação, como diria Paulo Leminski. Uma tarefa que é uma arte em si – ainda sem categoria reconhecida.

Considerando que a forma de expressão, no caso de uma narrativa, pode banhar-se em seu suporte, fazendo com que as limitações e delimitações de dado suporte se envolvam plenamente desta narrativa, é visível, em casos extremos, da impossibilidade de se levar a mesma história – ipsis literis – para outro suporte, sem correr qualquer risco de perda ou da necessidade de reparação.

Ficar no meio do caminho – não se utilizar de toda a força narrativa que cada suporte pode propor – significa ficar a meio caminho da emoção.

Por mais perfeita que seja essa transcriação.

É o caso do exemplo máximo visto em Wolverine: Imortal (The Wolverine – EUA – 2013), um produto para deleite consumista, com áura de pretensão, e que é, efetivamente, um excelente caso de perfeita transcriação.


Uma obra correta, corretíssima, que coloca personagens e situações que vivem e sobrevivem segundo as regras pré-estabelicidas no universo X-menmarveliano. Uma obra que sobrevive por si só, à revelia das outras 5 obras que tiveram a participação do herói-nervo-exposto; uma obra que permite-se apreciar sem que fosse pré-requisito conhecer a gênese mitológia dos quadrinhos oitentistas de Frank Miller, semente da história.


Mas, como reflexo de se andar no caminho do meio-risco, é um filme que não te tira da poltrona do cinema. Te deixa ali, apreciando os 120 min do filme, sem te fazer esquecer que você está ali, enquanto o filme está lá.
É um jogo seguro, mercadologicamente falando, ter filmes assim na sala de cinema.
Mas fica a sensação de que, se ao empatar não se perde, também não se ganha – logo, se perde outras coisas, como tempo e oportunidade.

E, ao final de qualquer sentimento impressionista que se permite ter ao se deparar com narrativas, como sempre, a ineficiência emocional, que não sai da tela fica sob responsabilidade da falta de empatia junto aos dramas dos personagens.
Logo, irresponsabilidade do roteiro, este sim objeto mais relevante em qualquer demanda transcriativa.

Indicado a: fãs do personagem, curiosos e quem não entendeu o meu texto.

sábado, 13 de julho de 2013

Deus ex Machina - #SóQueNão


Sentar-se passivamente e deixar rolar uma história à sua frente, numa tela grande, com som alto, é permitir-se sonhar um sonho compartilhado. Mas a nossa mente não fica tão passiva assim, a ponto de aceitar tudo como vem; de um jeito que não é possível calar a crítica interna, sempre atenta.

Crítica esta que diz respeito tão-somente à expectativa de se deixar participar emotivamente de dada história, mas com a razão acompanhando ao lado, verificando se a “regra do jogo” está sendo respeitada.
E a “regra do jogo” consiste em se entender que os personagens e o ambiente fazem parte de um mesmo universo – raramente ou quase nunca é esse universo que eu e você habitamos, mas ainda assim um universo com suas próprias regras.

Respeitando-se isso, basta a obra à nossa frente trabalhar somente com nossas emoções.

Eis a fórmula da obra-prima!

Mas – sempre há um mas em meus pensamentos – “sentar-se passivamente” é a busca pelo exercício zen de ter a mente livre, limpa e serena, com a “xícara-devidamente-vazia”, para que se encha satisfatoriamente com o novo que se apresenta à sua frente.

Um exercício que não consegui aplicar quando me reclinei no agradável estofamento do IMAX  e coloquei o par de óculos para desfrutar da hiperrealidade do 3D, pois, assim que o filme começou, me incomodou eu não estar imerso no contexto do filme.

Por duas faltas. Uma minha e outra do exibidor.

Da parte do exibidor a culpa é tripla: a tela é grande demais para um filme que foi rodado em 35 mm, deixando desta forma a imagem “lavada”; o 3D é extremamente fajuto, não justificando ficar duas horas e meia com um par de óculos para desfrutar quase que somente legendas em destaque; e o aspect ratio estava errado no projeção, deixando tudo espichado, e todos os personagens ficaram “um pouco gordinhos” – Laurence Fishburne mais gordo que os outros.

Da minha parte, a culpa maior: a obra de 1978 é extrema e pontualmente marcante em minha memória emotiva (já está distante aquele “sonho compartilhado” que tive numa noite de sábado, na tv, no início dos anos 1980, mais ainda vive livremente entre minhas “memória & imaginação”).

Gostaria de não ter assistido aos dois primeiros filmes estrelados pelo saudoso Christopher Reeve para poder ter apreciado, com todos os méritos, a O Homem de Aço (Man of Steel – EUA – 2013)

Toda cultura de um povo, de uma nação, quando passa por um período de sofrimento, não sabe que aquilo é somente um período, mas parece viver um presente que se extenderá à eternidade.
E a salvação, para um povo que sofre e perece na luta, parece que não virá de outro lugar que não seja do alto, na esperança que um deus maior mande um representante para salvar este povo.
Ora para que a esperança deixe de ser verbo e se transforme em carne.

Uma carne imortal. Ou tão indestrutível quanto o aço.

Ora para que esse deus envie sua maior arma para defender os justos, os menores e sofredores. Ainda que, ao enviar essa divindade encarnada, ela venha a conhecer o suplício da carne e venha temer seu destino.

Isso vale para a ideia que a nação judaica desenvolveu há mais de três mil anos - e que os cristãos acataram há dois mil.
Isso vale para a Terra que tem uma cidade chamada Metrópolis, com um povo que, tal qual o americano médio dos anos 1930, passe pela necessidade de um salvador.

Vale para um povo que não tem em sua história um herói com a referências de força para mudar e transgredir que o povo escocês tem com William Wallace, que o povo francês tem com a figura da Joana D’Arc. Um herói que destõe de seu tempo como japonês tem com Miyamoto Musashi, que o chinês tem com Wong Fei Hung, que o espanhol tem com El Cid, que uma América Latina inteira tem com um Che Guevara, que o brasileiro tem (sim, tem!) com o composto mix de um Tiradentes, Max Wolf Filho, Dom Pedro I, ou mesmo que localmente, de um Barão do Cerro Azul.

São figuras históricas que servem de referência a um povo em momentos de luta e luto.

Mas, para a mente humana, lembrança e imaginação por diversos momentos convivem na mesma sala. 

E a esperança acaba sendo imputada na mente criativa de contadores de história.

Ponto para a raça humana!

E, como força impulsora tanto faz o quanto é real ou imaginário o personagem que habita a conversa entre fiéis. O sucesso de ambos – e outros – arquétipos prova a força de uma linguagem universal.

Lembre-se que o deus-Sol é fonte de força, nos alimenta, revigora nossa vitalidade e esperança, traz vida e mudança, serve até mesmo de alimento, como as palavras de um um deus-pai, ou um sábio-pai. 

Seja ele biológico ou emocional.

É o mesmo Sol que queima vampiros e que dá forças infinitas para quem defende a verdade. 
É o mesmo Sol que ilumina as trevas da alma, joga luz sobre sombras que nos enfraquecem e nos matam.
É o mesmo Sol que alegra um país tropical.

Assim aconte com a Lua, aqui destruída em Kripton, que denota o horror em se matar a imagem da figura materna. E a saudades será eterna, mesmo para um deus-homem que mantém contato com a ideia-pensamento de seu pai.

E é justamente nesse ponto que a sensação de “pertença” do herói com vestes de realeza caminha, ou volita, sobre um muro estreito na obra de Zack Snyder; pois, apesar da diferença com o universo criado para Bruce Wayne na visão turva de Christopher Nolan, onde temos personagens que não se encaixam em seu ambiente (Gotham City, cadê você?), fazendo parecer o cavaleiro das trevas uma figura patética e risível vestindo uma fantasia, o Clark Kent/Superman sutilmente justifica sua figura - e ela também é justificada em seu ambiente – bem como toda sua desenvoltura superfísica – mas o problema é que o povo da Terra/Metrópolis parece não estar tão carente deste herói, nos dias da Metrópolis de hoje (valei-me David Dunn e Hancock!).

Obviamente que todo este meu pensamento é elaborado agora, enquanto escrevo, pois a força narrativa do filme não dá espaço para se perder em divagações em tempo real.


O Homem de Aço é um filme que funcionaria do mesmo jeito – talvez até melhor – mesmo se o filho mais famoso de Krypton na Terra não fizesse parte dele.
Poderia até mesmo ser a mesma história ambientada no universo de zumbis, espartanos, corujas ou internas dentro de um sanatório.
E apesar da força da obra, ainda assim, é uma peça menor, até o momento, do cineasta em atividade que mais me empolga na atualidade, ao lado de Yimou Zhang e dos irmãos Wachowski.

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Crueldade extrema: o início do filme, em Krypton, nos dá o tom de Gladiador + Thor, dá uma passada em Avatar no mundo de John Carter e termina com a plantação de gente de Matrix, com a estética de Prometheus.
E você verá, sim, um gordo Morpheus, onde Neo o salva mais uma vez no último segundo.
(Ver filmes demais, realmente, pode atrapalhar o processo criativo. Seja como realizador, seja como espectador. Não é mesmo, señor Buñuel?)

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Quando um filme-pipoca consegue levantar tantos pontos dispersos, ponto para o filme, que transcende sua proposta.


O título do meu post, a título de curiosidade, refere-se ao conceito Deus Ex Machina

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Um último atrevimento: vou rever o filme no cinema, em 2d, em cinema “normal”. Lembrando de chegar devidamente 20 min atrasado. Não sem antes me deslumbrar novamente com a Krypton do mestre multiversátil Richard Donner.

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Atualização 1 - Faz uma falta extrema a trilha sonora de John Williams, que tem em Superman o tema que mais me anima, além da trilha toda ser deslumbrante - Hans Zimmer continua sendo Hans Zimmer: é o bom-igual de sempre.

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Indicado a: quem nunca viu os filmes da franquia estrelados pelo Christopher Reeve; quem gosta de filmes de ação e não dá tanta importância para a gênese criativa; quem é fã do Superman dos quadrinhos e curtiu um tanto Smalville.

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De Jack Sparrow e Tonto Johnny Depp tem um tanto. Mas um tanto demais para um filme de menos...


A necessidade de indexação a que estamos submetidos permite, sempre, que algumas obras rompam, quebrem, deslumbrem e reinventem gêneros. Não é difícil encontrar dramas que nos fazem rir, aventuras que nos assustam e comédias que nos levam às lágrimas.

Mas para que isso aconteça é preciso contar que a mão do artista se imponha sobre o tronco gelado da indústria.

Procurando ser generoso, colocarei O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger – EUA – 2013) na estante de filmes Fantasia, tentando favorecê-lo como obra menor ao lado de pérolas como O Barão de Munschausen”, As Sete Faces do Dr. Lao (valeu, generoso Neri) e Os 5.000 Dedos do Dr. T.

Mas, diferente destas, o universo concebido para ambientar as desventuras deste icônico personagem é disforme. Toda uma aventura original cai quando se desfila uma série de clichês do subgênero aventura faroeste.
Todo um filme de clichês cai quando se desfila uma série de piadas internas, com momentos-paródia. E nem isso se sustenta quando o nonsense é questionado por uma criança de 10 anos a um índio velho, e enquanto este polvilha migalhas para um pássaro morto, dá às costas para a criança e, por consequência, faz o mesmo com o público.

Claro que, no conforto da poltrona, fica fácil resolver problemas que centenas de profissionais (muito bem) pagos tentaram durante meses, e não conseguiram.

Sei que, futuramente, verei um fanedit recut dessa peça de Gore Verbinski.
Eu mesmo faria duas obras distintas: uma constando todo o humor explícito da obra, excluindo o restante da trama; e outra excluindo todo este humor, fazendo uma lipo do restante da obra.
Mas ambas as versões não teriam o velho Tonto, certamente.

O Cavaleiro Solitário é um filme tonto, feito por tonto, para o Tonto.

Solitário mas não sozinho na busca pelo dinheiro aparentemente fácil que o entretenimento caro parece gerar e devorar.


Indicado a: quem quer ver Jack Sparrow fantasiado de índio e quem não sentiu vergonha alheia em Indiana Jones e a Caveira de Cristal.