sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

E Tom Cruise Desistiu de Envelhecer



É IMPRESSIONANTE como alguns artistas como Tom Cruise resolveram adquirir um quadro que com certeza está ficando muito velho e acabado em algum quarto secreto de suas mansões! Chega a incomodar todo esse exibicionismo em tela grande, ainda mais quando o filme trata de uma trama mais inventiva e exige uma certa atenção mental, como um filme de investigação.

A história, baseada num livro (que prentendo adquirir) versa sobre uma investigação acerca de um assassino à la atirador de elite e vai se percebendo que há algo de podre a mais pelas cercanias...

Jackie Reacher, personagem que dá nome ao titulo do filme, vem como um justiceiro, cavaleiro solitário, um ser à margem da sociedade.

Personagens dúbios, uma cinematografia impecável e tudo em seu devido lugar permitem que o espectador faça a devida “imersão” no universo diegético.

Filmes com tom detetivesco sempre tem seu charme. Não é diferente aqui: todo o clima (principalmente os primeiros 5 minutos) mostra a força do cinema. Mostra porque cinema é, antes de tudo, IMAGEM. Sem diálogos, a força da montagem nos pega pela mão e nos arremessa diretamente para dentro do evento, do ritual de um personagem.

E uma obra que nos transporta via imagens mostra QUEM de fato os personagens são, não quem eles DIZEM ser. As sutilezas que isso impõe sobre uma trama é a premissa de se ter uma história para contar; pois ou se conta uma história por ter PERSONAGENS interessantes, ou por ter um EVENTO interessante.

E aqui se tem dos dois!

Mas - pasme! - isso não seria suficiente para quem é fã do astro de Hollywood. Infelizmente colocaram açúcar na coca-cola.

Clichês e lugares-comuns parecem ser uma imposição sobre algumas obras – e aqui vem o meu lamento para quando isso acontece sobre um filme que tem uma semente, uma premissa, uma razão-de-ser tão interessante quanto “Jack Reacher - O Último Tiro” (Céus! Lamuriar sobre alguns títulos abrasileirados é inevitável!)

Mais uma obra que o cinema americano mostra do que é capaz tecnicamente, em sua precisão, tão imprecisa em nossa cinematografia nacional.

Mais uma obra que o cinema americano mostra não ter coragem de fazer do jeito certo: respeitando as motivações dos personagens, os moldando devido a uma necessidade estético-plástica.

...

A primeira meia hora do filme é deslumbrante (vale DOIS ingressos).
A hora seguinte é MUITO BOA (vale a ida ao cinema).
A última meia hora... ah... acho que já vi isso antes... (vale uma saída rápida para comprar mais pipoca).

Vou ver de novo no cinema, mas com certeza sairei com uma hora de exibição.

E sairei muito satisfeito.

Indicado para: quem gosta de tiros, chutes, socos, suspense, ótima fotografia, excelente montagem, e quer dar um pau em quem é malandro. E quem quer ver o dorso nu e sarado do star.

Para saber tudo: http://www.imdb.com/title/tt0790724/

Avô Engraçado é Pai Que Não Deu Certo



Fiquei surpreso, comigo mesmo, ao perceber que nunca havia visto um filme com Billy Crystal numa sala de cinema.
O comediante que me inspirou muito em “Mr. Saturday Night”, “Amigos, Sempre Amigos” e – principalmente – “Harry e Sally”, dentre outras obras, descobri que sempre me visitou em home video (nem na TV aberta eu devo ter assistido a alguma obra com sua participação.)
Pois bem, foi com uma ansiedade benevolente que fui ver “Uma Família em Apuros” (Parental Guidance - 2012).
As desventuras de um avô e uma avó que precisam passar uma semana com seus netos, entrecortados por um drama familiar (entre pais & filhos), faz dessa obra, que me atrevo a chamar de “comédia republicamericana”, o todo a ser abordado.
Diz uma orientação para escritores e contadores de história que “se queres ser universal, fala de sua aldeia”.
Curiosamente isso não funciona muito bem aqui.
Desapegado da cultura interiorana norte-americana, fica um pouco difícil absorver boa parte das piadas (essa coisa dos filhos irem embora de casa assim que vão para a faculdade; a cultura do beisebol; os compromissos morais e valores tão fora de moda em terras tropicais como a nossa).
Você curte o Billy Crystal, como eu? Vai se divertir um bocado.
Não curte aquela forma tradicional dele entregar as piadas (sempre parece ter uma pausa ao final das piadas, como esperando as “claques”)? Então vai se aborrecer desde o início do filme.
Mas espere! Bete Midler e Marisa Tomei encorpam o elenco – e valorizam e equilibram o drama e o humor.
E as crianças são ótimas! Principalmente a primogênita, interpretada por Bailee Madison.
“Uma Família em Apuros”, de qualquer maneira, é o tipo de filme que sempre deveria estar em cartaz – uma comédia leve, escapista, descartável e aprazível, como uma caminhada no shopping (deveria ter uma lei que obrigasse o circuito comercial a ter sempre um filme assim em cartaz).
Para se ver em tela de qualquer tamanho.

É mais do mesmo.
O que é bom.
O que é ruim.

Mas não decepciona, e entretém.
O que é ótimo.

Indicado para: quem também passa por apuros em família e sabe rir disso.

domingo, 11 de novembro de 2012

Argo - uma Obra-Pronta

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Hollywood fazendo o que de melhor Hollywood sabe fazer

O final de ano começa a apontar o primeiro grande filme a se posicionar junto aos festivais de cinema do início de 2013.
E começa bem. Começa Ben.
Affleck se firma, em definitivo, como um diretor que sabe o que quer, e sabe com quem contar para que sua visão tome a produção correta - contando com a ajuda de amigos. George Clooney não poupou esforços ou dinheiro para fazer esta obra tão atual e tão setentista.

Argo - Ano: 2012 - Direção Ben Affleck - Warner Bros.

A desventura deste grupo que fica preso em território inimigo, aguardando a salvação vir de fora, de alguma autoridade, é de um crescendo de suspense que se apoia numa narrativa dura e precisa, algo quase documental.
Algo não-onírico, mas ainda assim com cores de pesadelo.
A premissa "baseada em fatos reais" é uma parte do tripé que justifica se produzir um filme, se contar e recontar uma história (os outros dois alicerces são "adaptado da obra..." e "o mais original possível") e, como qualquer ótimo filme, deve-se assistir sabendo-se o mínimo possível.
Mas não estranhe se, ao final da projeção, você leve o filme para fora da sala de cinema, buscando trocar impressões sobre os sentimentos que o filme gerou - em quem assiste e nos personagens, todos reais, dentro e fora das telas.
Uma obra que esconde seus pontos fracos na sombra gigante de grandes emoções.
Uma obra para se ver em tela grande - a maior possível, por favor.

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Ainda assim, se quiser saber tudo sobre: http://www.imdb.com/title/tt1024648/ e http://www.br.warnerbros.com/filme-warner/argo

sábado, 3 de novembro de 2012

Frankenweenie

It's Alive... Again!


Photo by Disney – © 2012 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.


Não tem como assistir uma obra assinada por Tim Burton livre de qualquer expectativa. Realmente.
Pensado isso, afirmo convicto que "Frankenweenie" (2012) é uma obra como outra qualquer do cultuado cineasta. "Como outra qualquer" não é desdém, mas recohecimento da personalização visual que ele sempre aplica sobre suas leituras visuais e sonoras em sua filmografia.
Como dissecar tão à parte essa peculiar obra de terror infantil, sem se deixar contaminar por suas obras pregressas?
Ainda mais quando uma obra pregressa já era um original short live-action desta animação stop-motion?
Não tem como aplicar tamanha isonomia - mas isso faz parte de sua proposta artística, ainda mais tendo como parte do público a classe adulta (mesmo sendo animação, a classificação indicativa é de 10 anos). Assumidamente Burton despeja num caldeirão todas as referências sobre filmes-monstro que o influenciaram - a ele a várias gerações.
E eis aí um nó de duas pontas, que constrói um belo laço sobre a desventura de um cãozinho doméstico que tem a sorte de ter, como proprietário, um garoto tão nerd, desesperado e genial a ponto de ter desenvolvido a ciência de reanimar animais mortos.
O evento, que acontece após quase meia hora de filme, é o ponto de partida para uma série de acontecimentos.

O Verbo e a Ciência abrem a Caixa de Pandora


Photo by Disney – © 2012 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.

O grande serviço que Frankenweenie presta - assim como todo e qualquer grande filme - é de possibilitar uma camada de leitura mais profunda, onde nosso profundo ser se depara com códigos universais. Aqui, no caso, o que se deve morrer e o que se deve se manter vivo, no real ou nas nossas memórias. A "verdade" como sendo instrumento do potencial mental, a "ciência" como instrumento de se aplacar uma dor, e o "imponderado", o "mistério", quando se utiliza os dois instrumentos anteriores de forma inconsequente.

Frankenweenie é animação no formato mais clássico e artesanal possível.
É em preto-e-branco porque uma boa história não precisa de muito mais do que isso.
É cinema por evocar emoções contando inverdades.
É Disney por conta do final feliz.
E fica o aviso para a turma entre 10 e 12 anos: é filme de terror puro.

...

Behind the scenes (com uma câmera 360° que você faz o enquadramento): http://frankenweenie.yb.nl/release/tim/index.html?language=br


Trailer:

sexta-feira, 8 de junho de 2012

De Onde Viemos Não Devemos Voltar


O universo de Alien talvez um dia tenha uma merecida análise psicanalítica sobre esse monstro, sobre o desconhecido que podemos despertar, por adentrarmos num universo em que não fomos convidados a conhecer.
A não meter a mão naquilo que não se diz respeito. Mesmo quando pensamos ser de direito.
Talvez um alerta, talvez uma constatação de nossa própria natureza humana.
Enfim, o que tenho a dizer sobre o sétimo filme (incluo os dois Aliens x Predator) a abordar o universo concebido primeiramente por Dan O'Banon & Ronald Shusett, aqui escrito por Damon Lindelof & Jon Spaihts, é um recorte emocional e intenso de uma crônica sobre este universo.
Ambientado no mesmo planeta dos filmes de 1979 e 1986, mas num tempo anterior a estes, Prometheus se propõe a não macular a cinessérie. Uma parada difícil, mas que conta com a força do contador de histórias Ridley Scott, com um elenco multi-étnico - tal qual nos outros filmes - e com os efeitos especiais primorosos da Weta.
O foco aqui não está nas criaturas sanguinárias e de sangue ácido, inicialmente, mas na busca pela gênese humana, o que leva uma equipe a visitar um planeta, com condições de vida similares à da Terra, a pesquisar estas informações.
Claro que eles não estavam preparados para encontrar o que os aguardava ali.
Saber mais é não aproveitar o melhor do filme, que é seu próprio mistério.
Mas adianto que onde nada se acrescenta enquanto informação sobre a origem da nossa espécie, também não se acrescenta nada na mitologia da série.
Mas expande horizontalmente, em termos emocionais.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

É Madagascar, mas poderia ser Monte Carlo, Roma, Nova Iorque...


Caminhando no meu próprio contra-senso, preciso dizer que não dá para ver Madagascar 3 desconsiderando seus dois filmes predecessores, por se tratar de uma continuação direta.
Divertido, colorido, engraçadinho e descartável, este segmento é um convite ao desbunde visual que é o 3D. A ponto de eu duvidar se ele funcionaria bem numa tela plana, sem a profundidade do eixo z.
Também constatei que caminho num outro contra-senso: diferente da maioria das pessoas com quem comentei sobre a franquia, até o momento sou o único que gosto (muito!) do episódio 2, ao contrário do que eu eu chamo de fraco filme iniciante (desprezo, na verdade).
Coisas de expectativas e preconceitos, claro.
A narrativa segue com a saga da trupe que, depois de buscar Madagascar no primeiro filme, desde o segundo busca retornar pra casa. Fechando a trilogia, o filme se segura, e muito bem, no comportamento dos velhos personagens, já conhecidos por quem viu os filmes anteriores - ou segue as desventuras dos pinguins na televisão - e também por introduzir novos personagens, circenses, mais próximos da antropoformização do que qualquer outro até então. Mais semelhantes ao público adulto, que é quem tem mais vivência e decepções numa vida do que os aventureiros fugitivos do zoológico.
Ah, sim, não deixe de considerar uma pipoca como companhia e a vibração da criançada como extensão da trilha sonora, se você se arriscar a ver o filme coletivamente, junto do verdadeiro público-alvo desta obra.


Um Voto é Para Sempre


Prefiri renomear o filme "The Vow" - (EUA - 2012) que no Brasil recebeu o genérico título "Para Sempre", para que seja um pouco mais justo com a proposta dos autores, que é contar a dramática - quase trágica - história de um casal que, após sofrer um acidente de carro, passa pela curiosa situação com a esposa ter perdido parte de sua memória. Os últimos 5 anos, mais precisamente - onde 4 destes ela conheceu, se apaixonou e casou com um homem que agora não passa de um estranho. Alguém por quem ela não tem o menos interesse.
Com um aparente início de filme água-com-açúcar, mais-do-mesmo, climazinho-de-amor, o relacionamento do casal vai nos colocando em nossos devidos lugares, que é para dentro de nós mesmos.

A vida, quando inspira a sétima arte, sempre nos recompensa com nossa atenção.
Veja leve, com o coração aberto.